O primeiro ponto que eu quero deixar claro é que ninguém é dono do Cãovaleiro das Trevas. Mas para que o Fred e a Keyle se sintam mais felizes, eu faço de conta que eles mandam em mim (pero no mucho). Posto isso de forma clara, vamos ao meu relatório sobre os dois:
Keyle:
É a que mais me faz carinho e dá beijinhos e por isso eu sempre vou correndo para ela primeiro quando os dois chegam em casa (apesar de ser implacável com o crime, sou um romântico incorrigível). E nós nos damos bem porque gostamos de bagunçar a casa, dormir e fazer dengo para ganhar carinho (apesar de firme combatente do mal, sou um cão nas horas vagas). A vantagem dela sobre mim é que o dengo dela ganha o carinho do Fred e o meu não. Talvez o meu odor característico (uma cuidadosa e exótica mistura de poeira de rua e baba) não seja captado pelo olfato dele (ou talvez seja captado até demais). O único problema é quando ela vai limpar minhas formosas almofadinhas pretas. Sinto muitas cócegas e faço de tudo para me livrar daquele pano úmido de maldade! Mas ela ainda é mais forte que eu e tenho que ceder à essa tortura diariamente.
Fred:
Apesar de termos tido nossas diferenças no passado, hoje somos parceiros. Mas mesmo assim, tenho que tomar cuidado com ele pois ele é muito mais severo comigo que a Keyle. Ele não me deixa mais ir ao banheiro na sala, fuçar a roupa suja, beber água do chão do box, comer palmilhas de sapatos... Disse ele que isso faz parte do treinamento para Cãovaleiro das Trevas, mas tenho minhas dúvidas. É ele quem sai comigo para meu exercício diário e posso te dizer que ele é muito chato! Às vezes o asfalto, a grama ou os postes têm um cheiro tão bom, mas mal tenho tempo de parar para ficar fungando. E quando eu encontro outro cão e preciso trocar informações com ele, não posso nem chegar perto! Só consigo me aproximar de alguns detentos em prisão domiciliar que se incomodam com meu cheiro de justiça e latem para mim enfurecidos. Mas nem esses eu consigo ficar muito tempo próximo sem que o Fred me puxe para longe.